O que é Angioplastia Coronariana?

Sem dúvida, a Cardiologia foi uma das especialidades que mais obteve avanços tecnológicos consideráveis nas últimas décadas. A Cardiologia Intervencionista, subespecialidade da Cardiologia, responsável pelo diagnóstico e tratamento percutâneo das lesões coronarianas, expandiu muito seu campo de atuação baseada em estudos científicos e consensos médicos, de modo a beneficiar de forma menos invasiva e com grande efetividade o tratamento dos pacientes que possuem obstruções em suas artérias coronárias.

A angioplastia coronariana é a dilatação da artéria coronária por meio de um cateter balão. Esse cateter é introduzido na artéria com o objetivo de restabelecer a passagem normal do sangue ao coração, “esmagando” a placa de gordura/cálcio que ocasionou esse entupimento.

Mas quando está indicado este tratamento? Quando o paciente tem a suspeita de obstrução em suas coronárias, seu médico pede alguns exames complementares para descartar ou confirmar essa hipótese. O exame chave, que confirma esse diagnóstico, é o cateterismo cardíaco. O cateterismo cardíaco ou cineangiocoronariografia mostra a(s) artéria(s) com obstrução (estenose), o local e extensão da lesão. Com base nestes dados, o cardiologista intervencionista ou hemodinamicista avalia e indica se essas lesões são passíveis de tratamento percutâneo, via angioplastia coronariana.

Foi com o desenvolvimento dos stents que a Cardiologia Intervencionista deu um grande salto. Os stents são dispositivos metálicos semelhantes a uma malha circular que são utilizados no tratamento percutâneo dessas obstruções, mantendo os vasos abertos, diminuindo as complicações agudas, bem como o retorno da estenose do vaso.

Como é feita a angioplastia? A angioplastia é feita pela via de acesso radial (pelo braço, com artéria radial mais comumente ou braquial) ou via artéria femoral (pela região da virilha). É realizada uma punção pequena nestas regiões para ser possível a introdução do instrumental que é usado no procedimento. Um cateter é posicionado no óstio (entrada) da coronária a ser tratada e através dele navegam-se os dispositivos (fios, balões, stents…) a serem utilizados no procedimento pela equipe de hemodinamicistas.

Precisa de internação? Em geral, o paciente permanece 1-2 dias internado para que seja monitorado. Caso seja necessário um preparo para realização da angioplastia, assim como para o cateterismo cardíaco, principalmente nos casos de alergia ao contraste ou alteração do funcionamento dos rins, pode ser necessária a internação de véspera para hidratação/ medicação anti-alérgica.

Quais são os tipos de stents que podem ser utilizados? Para as angioplastias coronarianas temos basicamente 2 tipos principais de stents: não farmacológicos e farmacológicos. Os stents bioabsorvíveis, que já estão em desuso, não abordaremos.

Os stents farmacológicos são os mais amplamente indicados atualmente, pois diminuem a chance de reestenose, ou seja, do retorno da obstrução por cicatrização exagerada na artéria que foi tratada. Esses stents, além da parte de metal, são eluídos em uma medicação que diminuem a chance reestenose para menos de 10%. Após o implante destes stents, o paciente fará uso de medicação antiagregante por maior tempo via de regra.

Os stents não farmacológicos não são eluídos em medicação, ou seja, possuem apenas a parte de metal e são indicados nos casos de pacientes que tiveram histórico e/ou alto risco de sangramento ou que estão para serem submetidos à cirurgia em curto espaço de tempo, pois não podem fazer uso de antiagregação dupla prolongada devido a maior chance de hemorragias. Esses stents têm chance de reestenose de 10-20%, maior em comparação aos stents farmacológicos, mas cada situação clínica deve ser avaliada para a correta indicação.

Com a evolução dos stents, também já estão disponíveis para uso clínico e amplamente testados os stents farmacológicos que permitem o uso de antiagregantes por um curto intervalo de tempo (cerca de 1 mês), o que amplia ainda mais as indicações dos stents farmacológicos.

A seguir veremos as imagens de um procedimento. Na primeira foto mostramos a artéria coronária com local de estreitamento (obstrução) a ser tratado. Na segunda foto, vemos a colocação do instrumental utilizado para o tratamento da estenose, incluindo o cateter balão e o stent. Na terceiro foto, temos o stent já implantado na artéria, que tem seu fluxo restabelecido, sem mais a imagem de estreitamento que vimos anteriormente.

Foto 1:

Foto 2:

Foto 3:

O procedimento tem riscos? Apesar de menos invasivo quando comparamos com a cirurgia cardíaca, ainda é um procedimento que inspira cuidados e tem seus riscos, bem menores em relação a uma cirurgia a céu aberto. Durante o procedimento, o paciente fica acordado e a anestesia é local. O risco de ocorrer arritmias, infarto, necessidade de cirurgia de revascularização do miocárdio de urgência e acidente vascular cerebral são pequenos, mas devem ser sempre informados ao paciente e familiares. Outras possíveis complicações são: no local da punção como hematomas, alteração da função renal e alergias pelo uso do contraste.

Se antes apenas a cirurgia cardíaca era a opção aos pacientes, atualmente podemos contar com um procedimento menos invasivo, com menor tempo de internação e mais rápido restabelecimento clínico, desde que indicado corretamente pela equipe médica. É necessário manter o acompanhamento regular com seu médico, aliado sempre a um estilo de vida saudável e uso contínuo dos medicamentos quando prescritos.

Converse sempre com seu cardiologista, tire suas dúvidas e busque o melhor tratamento.

Um grande abraço!

 

Dr. Rósley Fernandes

Formado em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora – MG Residência Médica em Cardiologia pela Escola Paulista de Medicina �...

Comentários

  1. Fabia 6 de setembro de 2019 at 19:17
    Responder

    Meu ídolo!! Ficamos muito felizes com toda sua competência, vc merece todo o sucesso!!

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