Morte Súbita em Jovens Atletas

Vez ou outra vemos noticiado na imprensa a morte súbita de algum jovem durante eventos esportivos. Isso é chocante por se tratar de jovens e em situações que são associadas a bem estar e qualidade de vida, como a prática de exercícios físicos.

Em populações mais velhas, a causa mais frequente de morte súbita nestas ocasiões é a doença coronariana, ocasionando infarto fulminante e/ou arritmias fatais. Porém, em jovens, uma das principais causas é uma doença genética chamada cardiomiopatia hipertrófica e suas manifestações.

A cardiomiopatia hipertrófica é uma doença autossômica dominante, ou seja, se um dos pais tiver a patologia há chance em 50% de um filho vir a apresentar essa condição. Ela leva a mutações nos genes responsáveis pela codificação das proteínas do sarcômero cardíaco e pode acometer o coração como um todo ou em determinadas regiões como septo (local onde o fluxo sanguíneo precisa passar para ser levado a todo corpo) ou ápice (ponta da cavidade do coração que, com outras porções, recebe o sangue para depois ser ejetado para o organismo).

Ela se caracteriza pela hipertrofia ou aumento do músculo cardíaco. Esse aumento leva à diminuição da quantidade de sangue dentro do ventrículo (cavidade do coração que recebe e bombeia o sangue) para ser ejetado aos órgãos. Assim, durante a prática de alguma atividade física ou até mesmo, em estágios mais severos, durante as atividades rotineiras, qualquer elevação da frequência cardíaca provoca uma diminuição da quantidade de sangue no ventrículo a ser ejetada frente a maior necessidade que a atividade prevê. O coração não consegue se encher de maneira adequada, pois com a hipertrofia do músculo, a cavidade do coração que comporta o sangue fica diminuída (seria como tentar colocar 500 ml de sangue dentro de um compartimento que só coubesse 200 ml, hipoteticamente falando). Sem esse volume adequado para atender a maior demanda do organismo, o músculo cardíaco ressente e pode levar a sintomas como dor no peito, falta de ar, palpitações, tonturas, desmaios e até mesmo à parada cardíaca e morte.

Há casos de pacientes que nunca relataram sintomas prévios e a primeira manifestação foi infelizmente a morte súbita, daí a importância de sempre realizar sua avaliação médica antes de qualquer atividade física, mesmo em pessoas possivelmente sadias.

Como é feito o diagnóstico? Como os sintomas são variáveis e por vezes inespecíficos, o cardiologista pode solicitar exames complementares para fazer o diagnóstico, a depender de cada caso. São eles: eletrocardiograma, que pode mostrar alterações sugestivas, o ecocardiograma e a ressonância magnética do coração. Outros exames que podem ser solicitados incluem holter 24h para detecção de arritmias, angiotomografia do coração e cateterismo cardíaco.

Tem tratamento? Sim, inicia-se com a orientação clínica em relação ao aconselhamento genético e à prática desportiva e existem medicações que auxiliam no controle dos sintomas e da doença. Em casos mais graves, com obstrução à saída de sangue do coração para os órgãos, pode ser necessária a indicação de tratamentos invasivos, como diminuição do septo com alcoolização, miectomia através de cirurgia cardíaca, implante de marcapasso e/ou desfibrilador. A maioria destes tratamentos podem reverter o sintomas e o desfibrilador pode até evitar a morte do paciente. É importante deixar claro que nem em todos casos há necessidade destes procedimentos e só um médico cardiologista terá condições de avaliar qual melhor tratamento/ procedimento a ser indicado, onde a maioria visa diminuir mecanicamente a área hipertrofiada.

Existem exames genéticos que predizem qual destes pacientes estariam mais propensos a apresentar arritmias graves que poderiam cursar com morte. Também é importante colocar que caso tenha acontecido em algum familiar, por ser de acometimento genético como falamos anteriormente, muitas vezes indicamos também estes exames de rastreabilidade na família.

Procure sempre seu médico e faça sua avaliação e checkup. Cuide da sua saúde.

Um grande abraço!

Deixe seu comentário:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *