O principal objetivo da avaliação cardiológica antes de uma cirurgia é diminuir as possibilidades de complicações por doenças cardiovasculares no período peri-operatório, seja a cirurgia de pequeno, médio ou grande porte.
Abaixo vemos como as cirurgias podem ser classificadas e os riscos que elas representam:
– Alto (Risco cardíaco ≥ 5,0%):
Cirurgias vasculares (aórtica, grandes vasos, vascular periférica)
Cirurgias de urgência ou emergência
– Intermediário (Risco cardíaco ≥ 1,0% e < 5,0%):
Endarterectomia de carótida e correção Endovascular de Aneurisma de Aorta abdominal
Cirurgia de cabeça e pescoço
Cirurgias intraperitoneais e intratorácicas
Cirurgias ortopédicas
Cirurgias prostáticas
– Baixo (Risco cardíaco < 1,0%):
Procedimentos endoscópicos
Procedimentos superficiais
Cirurgia de catarata
Cirurgia de mama
Cirurgia ambulatorial
Em situações de urgência ou emergência, com o paciente em risco de morte, a cirurgia deverá ser realizada independente da condição cardiológica. Nas situações estáveis, fora do contexto emergencial, o paciente deve sempre passar por uma avaliação cardiológica programada antes da cirurgia.
Em condições cardiológicas ditas instáveis como: Síndromes Coronarianas Agudas (Angina Instável ou Infarto Agudo do Miocárdio), Insuficiência Cardíaca Descompensada, Arritmias Cardíacas Instáveis (não controladas), Hipertensão Arterial Descontrolada, Edema Agudo de Pulmão, Doença Vascular Grave, Acidente Vascular Cerebral, entre outras condições, as cirurgias eletivas devem ser reprogramadas até adequado controle clínico do paciente.
Diversas vezes, em avaliações cardiológicas rotineiras, temos a oportunidade de descobrir situações clínicas que se tratadas adequadamente podem diminuir o risco de um procedimento cirúrgico. Existem casos inclusive onde há necessidade de se postergar por algum tempo a realização da cirurgia até o adequado controle da patologia cardíaca.
Vejamos o exemplo de uma paciente jovem que irá se submeter a um implante de mama eletivamente e que numa avaliação cardiológica encontra-se hipertensa. Neste caso a pressão alta durante a cirurgia poderia resultar em maior risco de sangramento e até mesmo risco de complicações graves durante o ato cirúrgico.
Há uma série de outras condições clínicas que devem ser controladas antes da cirurgia para que esta possa transcorrer da melhor forma possível. Todo procedimento cirúrgico traz consigo os riscos inerentes ao próprio procedimento e estes por si só já bastam. A simples realização de um Eletrocardiograma, um Ecocardiograma e um Teste Ergométrico podem revelar patologias cardíacas que poderão interferir e aumentar o risco da cirurgia.
- Faça sempre uma cirurgia segura!
- Procure por hospitais certificados com selos de qualidade!
- Procure um cardiologista antes da operação!
- Procure médicos cirurgiões titulados pelas sociedades!
Estes são conselhos que podem salvar a sua vida! Então se cuidem!

Um grande abraço!
