Crianças e as Doenças Coronarianas

 

Isso tem sido uma preocupação cada vez maior de pais e mães que nos procuram no consultório. Devemos nos preocupar com as doenças coronarianas desde a infância? A resposta é SIM!!!

Já existem estudos que mostram presença de estrias de gordura na aorta de crianças. Isso, no futuro, devido a aterosclerose ser uma doença lenta e gradativa, pode levar ao acréscimo de riscos de eventos isquêmicos como infarto do miocárdio.

Essa presença de gordura tem relação mais evidente com os níveis de colesterol. Mesmo em crianças, esses níveis podem já estar elevados, por diversos fatores como genética, dietas inadequadas ricas em gorduras e pobres em nutrientes, sedentarismo, sobrepeso e obesidade infantil, cada vez mais frequentes.

Isso se mostra como um reflexo do nosso estilo de vida, onde crianças consomem muito mais alimentos doces e gordurosos (“fast food”), não praticam atividade física, preferem jogos eletrônicos para diversão (não gastam energia). Além disso vale ressaltar que o uso de drogas ilícitas como a cocaína e o fumo entre os adolescentes são conhecidos fatores de risco para presença de obstruções graves nas artérias coronárias.

Qual a idade ideal para começar a dosar o colesterol? A primeira dosagem, segundo consensos, deve ser feita entre 9-11 anos. De qualquer forma, o pediatra deve estar atento aos fatores de risco familiares e à condição física da criança para orientar o momento ideal do primeiro controle.

Podemos mudar esse cenário? Sim, é nossa responsabilidade como pais e/ou mais velhos darmos o exemplo. Coma de forma saudável junto com seu filho, faça-o participar da compra e do preparo dos alimentos. A criança é uma folha em branco, o paladar vai sendo apurado e a oferta saudável dos alimentos depende de nós. Lembre-se: o tratamento inicial, ainda mais para crianças, é sempre com a mudança do estilo de vida.

Incentive atividades físicas, seja jogar bola, brincar no parque… Quem sabe você também se envolve nessa rotina, bem mais divertida que academia não é mesmo?

Converse com seu filho, seja claro, seja amigo, fortaleça-o! Participe da vida do seu filho, viaje junto, traga boas companhias para junto dele e de vocês como pais. Aproveitem o bom tempo que passam juntos! O adolescente precisa deste porto seguro e dessa injeção de autoestima para dizer não às drogas, que além de comprometer seu futuro pode custar sua vida.

A mudança do estilo de vida geralmente é suficiente para controle dos sinais e sintomas na infância, mas lembre-se sempre de consultar seu médico.

Um grande abraço!

 

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