Sabemos da importância de se dosar o colesterol para controle de fatores de risco das doenças do coração mas, ao ler o resultado do exame, você sabe identificar o que está alterado ou não?
Esse post tem conteúdo informativo, não substitui a consulta com o médico. Queremos desmistificar esse laudo que para nossos pacientes é tão complicado de ler e entender. Os parâmetros a serem atingidos são variáveis conforme o histórico pessoal e familiar e isso seu médico vai orientar melhor.
A presença do colesterol é importante em nosso organismo. As gorduras ou lipídeos participam de importantes processos do nosso corpo: formam as membranas celulares, participam da síntese de hormônios, ácidos biliares digestivos e da vitamina D e constituem armazenamento de energia. Porém, sua elevação no sangue (dislipidemia) pode acarretar aumento do risco de eventos cardiovasculares, daí a importância de seu controle.
A formação da placa aterosclerótica começa com a agressão ao endotélio, camada interna que envolve os vasos sanguíneos. O endotélio tem uma função muito importante na estabilidade vascular, produzindo e liberando várias substâncias, dentre elas em destaque o óxido nítrico, que tem ação vasodilatadora, inibindo a adesão de plaquetas e evitando a formação de trombos que reduzem a luz dos vasos e impedem o fluxo adequando de sangue para os órgãos. Essa disfunção endotelial favorece o depósito das gorduras nas nossas artérias, pois ao sofrer essa “agressão”, o endotélio fica exposto e vulnerável ao acúmulo de gorduras e cálcio.
Quanto mais elevado o nível de gordura no sangue, maior a sua quantidade de depósito nas artérias, levando à obstrução progressiva das mesmas ao longo dos anos.
Além disso, o aumento nos níveis de colesterol geralmente não provoca sintomas, por isso é importante sua inclusão na lista de exames de check-up.
Para a coleta do exame de colesterol o jejum de 12h, em consenso recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), não é mais obrigatório, mas pode ser feito se for recomendação do seu médico. Muitas vezes o paciente também irá dosar a glicemia de jejum e aí acaba por estar mesmo sem se alimentar.
Temos, em linhas gerais, 2 tipos principais de colesterol que aparecem nos laudos dos exames, além do resultado dos triglicérides:
- HDL (High Density Lipoprotein – Lipoproteína de Alta Densidade): é o chamado colesterol bom, ele direciona o colesterol ruim para o fígado para ser metabolizado e eliminado do organismo. Como ele retira a gordura ruim do sangue, quanto maior o seu valor no exame de sangue melhor. Por isso se fala que este colesterol é bom e protege o coração.
- LDL (Low Density Lipoprotein – Lipoproteína de Baixa Densidade): é o colesterol ruim, acumula-se nas paredes internas das artérias, causando obstrução das mesmas que, com o passar do tempo, compromete o fluxo de sangue para os órgãos. Portanto, quanto menor seu valor melhor.
- Triglicérides: eles acumulam pouco na parede das artérias quando estão elevados, mas sua elevação comumente vem associada a outras anormalidades como HDL baixo (não protetor), aumento da glicemia, aumento da resistência à insulina e aumento da propensão à coagulação sanguínea. O aumento dos triglicérides está relacionado também a uma ingesta excessiva de carboidratos na dieta, em especial os processados, que possuem alto índice glicêmico como os açúcares refinados, massas e também se elevam com ingesta alcoólica.
Os resultados destas dosagens aparecem como valores referenciais nos laudos dos exames ou até mesmo como resultado desejável. Na verdade, o ideal ou “alvo” a ser atingido por cada paciente é determinado pelo seu médico baseado no seu risco cardiológico.
E como saber qual meu risco cardiológico? O seu médico faz o cálculo com base no Escore de Risco Global (ERG). Ele estima o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca ou vascular em 10 anos e a partir daí se determina o alvo terapêutico para cada caso.
Estando alterados os meus exames, devo tomar medicação para baixar o colesterol? Essa é uma definição do seu médico, pode ser necessário sim, mas sempre deve ser instituída, primeiramente e/ou em conjunto, uma mudança na dieta e estilo de vida, optando por reduzir o consumo de gorduras, alimentos ricos em açúcares refinados e bebidas alcóolicas.
Não apoiamos uma dieta específica, restritivas e modismos. Comer bem e saudável melhora não só os exames de sangue, mas também o peso, a disposição e a capacidade física dos pacientes. Se for necessário, peça ajuda para compor um cardápio saboroso e rico em bons alimentos.
Um grande abraço.
